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Só para ti, que me ouves aqui...


Hoje decidi escrever estas palavras para ti. Para que possas lê-las, relê-las, e voltar a elas sempre que precisares. Para que te lembres que não estás só, que o caminho que começaste a trilhar agora é um que te vai levar aonde tu escolheres. Nada acontece por acaso, e a soma de todas as experiências que tiveste trouxe-te ao aqui e agora.

Engravidaste. Talvez o planeasses, ou talvez até não. Neste momento, parece que já não importa. O certo é que agora deixaste de ser apenas tu. Se calhar ainda não o sentes, se soubeste há pouco tempo. Não sabes como o teu pequeno "feijão" luta para fazer parte da tua vida. Agora, para ele, é o tudo ou nada.

Eis que o teu corpo te parece estranho. Habituada que estás a ele, poderás notar um sono que torna estes dias quentes propícios a sestas que não estás acostumada a fazer. De repente, aquele cheiro que antes não notavas, encontra o seu caminho por ambas as tuas narinas, e relembra-te que há algo de diferente em ti. Poderás sentir náusea onde antes sentias fome, poderás até vomitar perante comidas que antigamente adoravas.

Ainda no início, colocas suavemente a tua palma da mão no fundo da tua barriga, onde não parece haver nada, e acaricias ainda assim este nada que é, tão só, um tudo. Como será o teu bebé? Imaginas-lhe os olhos profundos, desenhas-lhe dez dedos perfeitos nas mãos, pintas-lhe um sorriso do tamanho do amor que tens já por ele, e ainda não viste nada!

Os dias passam languidamente, e a ciência dá-te a possibilidade de veres num ecrã o pequeno coração dele a bater... e sem o reconheceres, o passo do teu coração acerta com o do teu bebé, pois apesar de diferentes, tu agora és tanto dele como ele é de ti. E ao fim do dia, todas as noites, antes de adormeceres comprometes-te a zelar por ele, a amá-lo, a dares sempre o melhor de ti e a seres o melhor que podes ser. E, naquele dia, quando menos o esperavas, sente-lo finalmente dentro de ti. Nesse momento, começa a vossa "dança". Tu cantas-lhe baixinho, embala-lo com o som da tua voz, contas-lhe histórias sobre ti, sobre o pai, sobre os avós, falas-lhe de todo um belo mundo que o espera cá fora... e ele bebe cada palavra que dizes, embevecido, já conhece a cadência do teu movimento, o ritmo do teu corpo. E nunca mais nada será o mesmo.

À medida que os dias passam, e se transformam em meses, ficas mais pesada. Os teus movimentos não são mais fluidos, o teu sono é difícil, o tempo custa já a passar. E ambos os dois, sem o saber, estão inconscientemente a preparar-se para, enfim, se conhecerem. Surgem, mais vivamente, os medos. Será que vai doer? Será que tudo vai correr bem? E embora tu não o ouças assim, também ele te grita, de dentro de ti "vai tudo correr bem, mamã, também eu farei a minha parte". O parto é um momento, e o nascimento do teu bebé é toda uma vida.

Eis que chega a hora. A vossa hora. Pode ser uma contração, pode ser a verdadeira água da vida que jorra de ti... é diferente para todas. Estejam onde vocês estiverem, estão juntos, e o vosso compromisso é o amor e a segurança um para com o outro e um pelo outro. Em um breve ou longo momento, o teu bebé percorre todo um difícil caminho até ti. E é então que o ouves. Pela primeira vez. Num choro que é, em essência, um triunfo. E é então que o vês. Pela primeira vez. E ele levanta os olhos, e curioso, olha-te de volta. Não é um olhar de surpresa. É um olhar de reconhecimento. De dentro, para fora. E quando to colocam no peito, vocês parecem encaixar como duas peças de um puzzle que é só vosso. Tudo à vossa volta desaparece. Toda a dor passa. E começa, ali, a vossa viagem. A mais bela viagem da vida.

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