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Sinais de alarme no recém-nascido - a que devo estar atento/a?


Nesta semana, falámos muito sobre recém-nascidos. Começámos a falar sobre as visitas, e agora passámos para outro campo também importante, que são os sinais que podem estar presentes no recém-nascido, e serem preocupantes. Um dos maiores medos de qualquer pai é pensar que possa não conseguir identificar uma situação em que o seu bebé esteja doente. E então, perante um recém-nascido, este medo ainda se amplifica mais. Isto porque o momento em que se leva o bebé para casa é esperado com muita alegria, mas por vezes também "misturada" com alguma ansiedade - grande parte das vezes é tudo tão novo! O choro, a ansiedade perante a alimentação do bebé, o sono... e depois perante pequenas supostas "alterações" que os pais vão notando, que muitas são apenas típicas desta etapa, acaba por sentir-se alguma insegurança. O que é perfeitamente normal, e à medida que vamos conhecendo o bebé, vamos ficando mais confortáveis na identificação das suas necessidades, rotinas e padrão de comportamento.

Dentro das variações típicas de cada bebé recém-nascido, existem contudo alguns sinais e sintomas que nos podem preocupar, e que deverão motivar pelo menos o contacto com o profissional de saúde que acompanha a criança/médico assistente, e uma avaliação a curto-prazo. Seria impossível abarcar todos os sinais de alarme, ou as suas manifestações, mas aqui ficam alguns dos que se podem apresentar com maior frequência, ou ser de maior gravidade.


1) Recusa persistente em alimentar-se - numa fase inicial, quer seja em aleitamento materno, quer seja com leite de fórmula, é habitual os bebés adormecerem na refeição, por vezes precisando de serem "estimulados" para retomarem a refeição. E por vezes fazem uns intervalos maiores entre as refeições, e outras vezes menores, mas continuam a alimentar-se. O que não é habitual é realmente não realizarem a sucção para se alimentar, passando um longo período sem conseguir alimentar-se, e principalmente se difíceis de despertar, ou pelo contrário, irritados/impossíveis de consolar.

2) Prostração/irritabilidade mantida - são duas manifestações distintas de uma possível situação preocupante. Por um lado, aqueles bebés que não se conseguem acordar para mamar, e por outro, aqueles que choram persistentemente e prolongadamente sem consolo quer com a refeição, quer com o colo ou com outras medidas habituais de conforto.

3) Temperatura retal > 38ºC - no recém-nascido é difícil aplicar-se uma definição de febre. Uma temperatura mais elevada, à semelhança de uma temperatura mais baixa do que o habitual, podem ser sinais de doença. A temperatura retal é uma forma fidedigna de avaliar a temperatura, e nesta faixa etária febre é sempre sinónimo de necessidade de avaliação. Atenção contudo ao sobreagasalhamento, principalmente em dias de muito calor. Mas é uma situação que nunca deve ser levada de ânimo leve.

4) Vómitos - uma coisa é o bolçar, típico dos bebés mais pequenos, devido ao refluxo do conteúdo do estômago até à boca, e que é sem esforço, outra coisa são os vómitos. A presença de vómitos (e principalmente, a sua repetição), é um sinal que preocupa.

5) Diminuição acentuada da urina - atualmente as fraldas até permitem uma avaliação da presença de urina, o que ajuda nesta parte. Um recém-nascido que está um tempo muito prolongado sem urinar pode significar que está a ter dificuldades na alimentação, ou outra situação de doença.

6) Icterícia a agravar - a icterícia é uma coloração amarelada da pele e das mucosas. Muitas vezes nos primeiros dias do bebé é frequente assistir-se a uma tonalidade amarelada principalmente na cara, por vezes atingindo a zona superior do tronco. E gradualmente tem tendência a desaparecer, no sentido inverso (ou seja, a cara é habitualmente a última zona a deixar de estar amarela). Mas não é habitual, em casa, a tonalidade amarela ir aumentando gradualmente, principalmente se se nota a atingir a região abaixo da cintura.

6) Coto umbilical com cheiro, pús ou rubor - normalmente o cordão umbilical, até à sua queda, apenas requer a lavagem com água e o gel de lavagem do bebé, contudo, mesmo com estes cuidados de higiene, por vezes há infeções que atingem esta zona, e que se manifestam por um "mau cheiro", ou a saída de pús, e uma "vermelhidão" da pele à volta do cordão/coto. Uma vez que estas infeções têm de ser tratadas, este também é um sinal que deve motivar a procura de cuidado médico.

7) Dificuldade em respirar - quando os bebés são pequeninos, nomeadamente recém-nascidos, não têm uma respiração regular como as crianças mais velhas, ou os adultos. Transitam rapidamente entre fases em que respiram rapidamente, para outras em que respiram mais lentamente, e por vezes até parecem fazer pequenas pausas de poucos segundos. O que não é habitual nem deve ser considerado normal é quando parecem fazer "esforço" para respirar, o que se pode avaliar observando o peito (vê-se por vezes o espaço entre as costelas a retrair), ou têm gemido, ou apresentam alguns sons particulares ao respirar (por exemplo, a pieira).

8) Coloração azulada ou palidez - a presença de uma coloração azulada nos lábios, ou à volta dos lábios, bem como palidez acentuada, são sinais que não são normais no recém-nascido, e que devem motivar avaliação.


Neste "mar" de sinais e sintomas, em que é tudo novo, é sempre importante sentir que temos a quem recorrer. Ou ao médico assistente, ou no caso de algumas maternidades, existem linhas específicas que ajudam nesta primeira fase os pais a identificar os potenciais sinais de doença no recém-nascido, ou o contacto com a própria linha sns24, indicada para a orientação de situações de doença aguda não emergente.

Cada recém-nascido é diferente, e as manifestações de doença podem ser, também, diferentes para cada um. Mas acima de tudo, confie no conhecimento que já tem do seu bebé (são os pais que melhor conhecem os seus filhos!) e em caso de dúvida, procure ajuda.




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