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Visitas ao recém-nascido? Não, obrigado!


Nasceu o bebé mais desejado do mundo! Naturalmente, é o "seu" bebé. A gravidez já passou, e a nova mamã está na maternidade, ou prestes a ir para casa, com o seu bem mais precioso. Antes de mais, é natural que quem acompanhou a gravidez, principalmente a família mais próxima, sinta igualmente o desejo de conhecer o novo membro da família. Afinal, o nascimento é para a maioria das culturas um momento de celebração! Nem precisamos de ir mais longe, quem não se lembra que até os Reis Magos fizeram um longo percurso para celebrar o nascimento e presentear um recém-nascido? Ora isto bem antes da era COVID-19!

Com COVID-19 ou sem COVID-19, a realidade é que sendo um momento de grande alegria, em primeiro lugar cabe também aos pais decidir QUEM querem receber, QUANDO querem receber e SE querem receber alguém. Mas devem fazê-lo cientes do que possa poder interferir com o bem-estar da família, e principalmente do recém-nascido. E às vezes não é fácil aos pais dizer que não, porque têm receio de parecer desagradáveis, e de magoar as pessoas mais próximas.

Porque é que eu, enquanto pediatra, não aconselho visitas no primeiro mês de vida? Naturalmente, porque sou anti-social. :) (pode ser que no final desta publicação cheguem a esta conclusão!!). Não, exactamente por ser pediatra. Em primeiro lugar, por saber que a exposição do recém-nascido a múltiplos contactos aumenta a probabilidade de infeção no bebé. E uma infeção num bebé recém-nascido não é coisa pouca! Se quem vai de visita está a pensar que vai transmitir uma doença? É evidente que não, mas a possibilidade de transmissão existe, mesmo quando nos sentimos "saudáveis". Porque aquele pingo no nariz que pensamos ser das alergias, aquela tosse seca que achamos que tem a ver com o ar condicionado do escritório, ou aquela sensação de enjoo que atribuímos ao almoço que não nos caiu bem podem ser na realidade manifestações de uma simples infeção viral, que quando se transmite a um recém-nascido, pode muito bem acabar em algo não assim tão simples. E mesmo quando nos sentimos completamente bem, ainda assim existe a probabilidade de infeção (como se diz na gíria, podemos estar a "chocar" qualquer coisa). Então visitas em que participam crianças, são ainda menos seguras para o novo bebé, pois as crianças facilmente estão "constipadas", e têm aquela curiosidade que as leva a tocar no bebé, levar o dedo ao nariz, e depois mexer em tudo o que os rodeia, e assim potenciar a transmissão de doenças. Em segundo lugar, porque quando a nova família regressa a casa, precisa de tempo para encontrar o seu novo equilíbrio. Independentemente da família que seja, ganhou mais um elemento, e precisa de espaço próprio para se ajustar a uma dinâmica completamente diferente. O que menos precisa é de palpites ou sugestões (mesmo com boas intenções, é pouco útil a uma nova mãe ouvir - ah, está a chorar, de certeza que tem fome... ou deixa cá ver o bebé, de certeza que acalma no meu colo...)... é fácil a mãe estar muito cansada, quer pelas alterações hormonais típicas do pós-parto, quer pela falta de dormir que muitas vezes já vem da altura da gravidez e se agrava nesta fase. Existe contudo uma boa exceção a isto - alguns familiares próximos oferecem a sua ajuda quando é para, por exemplo, ajudar os pais levando comida, ou para realizar algumas tarefas que retiram trabalho à mãe, como lavar a roupa e passar, ou limpar a casa... embora até isto, na era COVID-19, também é aconselhável que respeite a máxima segurança possível para com a nova família. Mas estas são boas ajudas, embora lá está, embora se possa oferecer esta ajuda, também deve ser respeitada a decisão da nova família em relação a isso, sem pressionar. Já só saber que se tem essa possibilidade, de recorrer a isso, é um conforto para os novos papás. E não tem nada a ver com o facto de serem mais ou menos capazes, é que gerir tudo não é MESMO nada fácil.

Um pouco por tudo isto, realmente não recomendo as visitas no primeiro mês de vida do bebé. Haverá tempo depois, todo o tempo do mundo não se esgota naqueles dias, e a família sabe que é acarinhada por todos os que lhe são mais próximos, mesmo sem a presença física dos mesmos. E se tem receio que a roupinha que comprou para oferta já não sirva na visita, e o talão de troca já tenha passado o prazo, dica prática, opte por comprar uns tamanhos acima ;) Faça é contas à estação do ano (acontece a qualquer um, até a mim já me aconteceu!).

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