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Eczema atópico em bebés e crianças: cuidar da pele com ciência e carinho


O eczema atópico, também conhecido por dermatite atópica, é uma das doenças de pele mais comuns da infância, afetando até uma em cada quatro crianças. Manifesta-se frequentemente nos primeiros meses de vida e pode ter um impacto significativo no bem-estar da criança e da própria família. A boa notícia é que, com uma abordagem correta e cuidada, é possível na grande maioria dos casos aliviar os sintomas, reduzir a frequência das crises e melhorar substancialmente a qualidade de vida.


Ter uma pele que precisa de cuidados especiais


O eczema atópico é uma inflamação crónica da pele que resulta de uma combinação entre a predisposição genética e alterações na barreira cutânea. A pele perde a capacidade de reter água e fica mais permeável a substâncias irritantes, o que leva a que fique seca, inflamada e cause comichão — o sintoma habitualmente mais desconfortável, e difícil de controlar.



Nos primeiros meses de vida, o eczema atópico tende a surgir nas zonas mais expostas do corpo, sobretudo:

·       Face, especialmente:

o   bochechas

o   testa

o   queixo

·       Superfícies externas dos membros (braços e pernas)

·       Tronco, em alguns casos


A partir dos 2 anos (e progressivamente ao longo da infância), o padrão muda de forma bastante característica.

As lesões passam a localizar-se sobretudo nas áreas de flexão, ou seja, nas dobras:

·       Atrás dos joelhos

·       Dobras dos cotovelos

·       Pescoço

·       Punhos e tornozelos


Saber estas diferenças na distribuição consoante a idade ajuda-nos não só a identificar a doença mais corretamente, como também a atuar de forma preventiva na proteção das zonas mais atingidas em cada fase.


Como viver melhor com o eczema atópico?

Apesar de não haver cura definitiva, o eczema pode ser, na grande maioria dos casos, eficazmente controlado. O segredo está na combinação de cuidados diários preventivos com uma ação adequada durante as crises. E é exatamente aqui que os pais geralmente vacilam – como a pele tem um aspeto “normal” entre crises, é fácil esquecer a importância da hidratação diária. Outro fator que não ajuda é, principalmente nas crianças mais velhas, a dificuldade em que a criança aceite ficar quieta o tempo suficiente para lhe colocar creme. Tornar isto uma rotina diária certamente pode ajudar a que se transforme num hábito, e de mais fácil aceitação.


🧴 Hidratação diária é a base de tudo

Mesmo quando a pele parece saudável, tal como dito anteriormente, a hidratação precisa de ser reforçada diariamente com emolientes — cremes ou bálsamos e sem fragrâncias. A aplicação deve ser em quantidade generosa e envolver todo o corpo, não apenas as zonas visivelmente ou habitualmente mais afetadas. De uma forma prática, uma criança pequena deveria gastar uma embalagem de 200 ml de creme por mês. A melhor altura para o fazer é após o banho, com a pele ainda húmida, ajudando a aumentar a absorção.


🚿 Banhos: a dúvida frequente

Mais importante do que a frequência dos banhos (que pode ser ajustada à necessidade e resposta da pele em cada criança) são as condições em que este acontece. A água muito quente ou banhos prolongados podem agravar a secura da pele. O ideal é que o banho seja breve (5-10 minutos), tipo duche, com água morna e utilizando produtos suaves, sem perfume. Aqui temos a opção em muitas linhas de usar o óleo lavante (que funciona muito bem na pele) ou o gel. O objetivo é limpar sem remover os óleos naturais da pele.



💊 Controlar a inflamação nas crises

Quando surgem áreas de eczema ativo, é necessário aplicar medicamentos anti-inflamatórios tópicos (como corticoides ou outro tipo de produtos prescritos pelo médico), de forma localizada e pelo tempo recomendado. Muitas vezes aplicar o creme habitual nestas zonas vai causar dor e desconforto à criança (principalmente ardor), e daí a necessidade de travar a inflamação antes de voltar ao tratamento de base. Estes agentes são seguros quando usados corretamente e devem ser exatamente aplicados da forma como são prescritos. Um dos problemas que mais ameaça a eficácia do tratamento nestas situações é a “corticofobia” dos pais (e até de alguns profissionais de saúde, por vezes...), que leva a interrupção precoce do tratamento, antes da pele ter tido tempo de recuperar (porque visivelmente até já parece bem), e depois consequentemente as lesões voltam a aparecer pouco tempo depois.


👶 Tratar a comichão durante as alturas de crise

Já aqui foi dito que a comichão (o prurido) é um dos sintomas que se associa às lesões ativas, e aquele que mais frequentemente acaba por incomodar a criança. O impacto no quotidiano dos bebés e das crianças pode ser mesmo muito marcado, com irritabilidade associada, alterações do padrão do sono, e até aumento da probabilidade de feridas na pele, que podem acabar por sobreinfectar. O uso de anti-histamínicos adequados à idade da criança pode ajudar em fases de crise, bem como a aplicação de compressas frias, e o uso de roupa larga, de algodão.

 

🔁 Prevenir novas crises com tratamento proativo

 Em algumas situações, o médico pode recomendar continuar a aplicar o tratamento anti-inflamatório (ou com corticóides ou com outro tipo de agentes), em dias alternados ou algumas vezes por semana, mesmo quando a pele já não tem lesões visíveis. Esta abordagem ajuda a evitar recaídas e mantém a inflamação sob controlo. É sempre de referir que nunca se deve esquecer a hidratação diária com o creme emoliente adequado.


🚫 Evitar irritantes e desencadeantes

A roupa deve ser de algodão, sem etiquetas ou costuras irritantes. Detergentes sem perfume (e fazer um bom ciclo de enxaguamento de forma a não restarem vestígios de detergente na roupa) e ambientes sem fumo são também aliados importantes. Embora nem sempre seja possível identificar um desencadeante claro, o suor, o calor ou o stress podem piorar os sintomas. É importante observar a criança e adaptar o ambiente de forma preventiva.


O impacto vai para além da pele

Já vimos que o eczema atópico pode interferir com o sono, causar desconforto emocional e afetar o dia a dia não só da criança, mas de toda a família. A criança pode sentir-se frustrada e ansiosa, e os pais, por sua vez, exaustos e preocupados. Ter um plano de cuidados estruturado e escrito ajuda a reduzir a ansiedade e a manter uma rotina eficaz. A chave está em compreender que não se trata de negligência, nem tampouco de uma situação passageira, mas sim de uma condição crónica que exige cuidados consistentes e individualizados.

Quando o médico assistente da criança assim o considerar, a referenciação para um dermatologista ou alergologista pode ser necessária, nos casos mais persistentes, graves ou associados a outras alergias.


Conclusão

O eczema atópico não é “só” uma questão de pele — é uma condição que exige compreensão, paciência e uma abordagem científica e carinhosa. Com cuidados diários, uma rotina adequada e acompanhamento médico quando necessário, é possível garantir que a criança cresça com conforto, confiança e bem-estar.

A pele atópica precisa de tempo, consistência e, acima de tudo, de atenção personalizada. Porque cada criança é única, e o cuidado com a sua pele deve refletir essa individualidade.

 

Algumas linhas de produtos de pele atópica que recomendo em consulta...


Passo a referir algumas das linhas que costumo indicar para aplicação no banho e hidratação no eczema atópico. Como em tudo, alguns bebés e crianças reagem melhor a uns, e outros a outros, e não há propriamente uma linha que seja melhor do que a outra. Importa sim o efeito que tem na pele da criança, e acima de tudo, a persistência e consistência na aplicação.

Algumas das linhas apenas têm gel de lavagem, outras têm gel e óleo, e em termos de hidratação algumas marcas têm creme, e outras creme e bálsamo. Existem algumas loções também disponíveis, mas estas não costumo recomendar, uma vez que têm pouca ação hidratante comparativamente às outras formas.

Não se encontram por nenhuma ordem específica, e não tenho qualquer benefício nestas recomendações, apenas a experiência das muitas famílias que já as usaram.

 

·      Exomega, A-Derma

·      Nutratopic, Isdin

·      Xemose, Uriage

·      Atoderm, Bioderma

·      Lipikar, La Roche-Posay

·      Topialyse, SVR

·      Xeracalm, Avéne

·      AtopiControl, Eucerin

·      Dexeryl, Pierre-Fabre

 
 
 

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